Blog do Morais: Veja por que você é um idiota ao tratar partido político como time de futebol


No Brasil, política virou quase uma arquibancada. De um lado, torcedores da esquerda; do outro, defensores da direita. Ambos batem no peito, repetem slogans e defendem seus líderes como se fossem ídolos inquestionáveis. O problema? A política não é esporte, e quem assume postura de torcedor acaba sendo manipulado como marionete.



Afinal, partidos políticos — de qualquer espectro ideológico — não hesitam em mudar de discurso quando convém. O que hoje é “imoral” pode se tornar aceitável amanhã, desde que traga votos. Promessas de campanha se desfazem como fumaça, e narrativas são adaptadas de acordo com o interesse de quem está no poder ou deseja alcançá-lo.

Enquanto isso, o eleitor apaixonado segue aplaudindo ou vaiando conforme o time que escolheu, sem perceber que continua no mesmo papel: de massa de manobra. Essa cegueira política impede o debate crítico, transforma adversários em inimigos e alimenta uma guerra sem fim, em que o verdadeiro derrotado é o povo.

A idolatria política é perigosa porque desvia a atenção do que realmente importa: fiscalização, cobrança e exigência de resultados concretos. Político não é herói, e muito menos salvador da pátria. É funcionário público eleito para administrar e servir à população. Quando o eleitor troca análise crítica por torcida, dá carta branca para a corrupção, a incoerência e a demagogia.

Portanto, se você trata a política como um Fla-Flu, talvez esteja sendo parte do problema. Não existe lado puro, nem partido imune a contradições. O que existe é um sistema que sobrevive da sua lealdade cega. A pergunta é: você vai continuar como torcedor, ou vai finalmente agir como cidadão?


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