Blog do Morais: o time “mais sujo” da história da Libertadores.
Surpreendido com o estilo de jogo do Estudiantes no Maracanã? Veja o que o Flamengo pode esperar no confronto de volta, na Argentina.
Estudiantes de La Plata: o time “mais sujo” da história da Libertadores
Entre títulos e polêmicas, o clube argentino construiu um legado marcado pelo sucesso e pela controvérsia
O tricampeão continental:
No final da década de 1960, o Estudiantes de La Plata viveu o período mais glorioso de sua história. Sob o comando de Osvaldo Zubeldía, o clube argentino conquistou a Copa Libertadores em 1968, 1969 e 1970, além de vencer a Copa Intercontinental.
Essas conquistas colocaram o Estudiantes no topo do futebol mundial, mas também levantaram questionamentos sobre os métodos utilizados para chegar tão longe.
A marca do jogo duro:
O estilo de jogo do time era pragmático e, muitas vezes, agressivo. Entre as táticas mais comentadas estavam:
Faltas estratégicas para quebrar o ritmo adversário.
Provocações psicológicas que desestabilizavam os rivais.
Retardamento de jogo e paralisações constantes para esfriar o ímpeto do oponente.
A combinação de disciplina tática e violência em campo rendeu ao Estudiantes a fama de ser o time mais “sujo” da Libertadores.
Sucesso ou antijogo?
A polêmica cresceu na medida em que os títulos se acumulavam. Para críticos, o Estudiantes representava um futebol antidesportivo, disposto a ultrapassar limites para vencer. Já defensores apontam que o clube apenas explorava as brechas de uma época em que a arbitragem tolerava maior intensidade física.
Um legado ambíguo:
Mais de 50 anos depois, a imagem do Estudiantes ainda divide opiniões. Para uns, é símbolo de disciplina e eficiência. Para outros, exemplo de um futebol que sacrificou o espetáculo em nome da vitória.
O fato é que o Estudiantes de La Plata não apenas levantou taças: deixou também uma das páginas mais controversas e debatidas da história da Copa Libertadores.
O Estudiantes foi tricampeão da Libertadores entre 1968 e 1970.
O time também venceu a Copa Intercontinental de 1968, contra o Manchester United.
O apelido de “mais sujo” surgiu pela soma de violência em campo e estratégias psicológicas para desestabilizar rivais.
CARLOS BILARDO: o cérebro por trás da face mais polêmica do Estudiantes
Jogador duro, médico de formação e treinador campeão do mundo: a trajetória marcada por glórias e pela fama de “futebol sujo”
O volante de La Plata:
Carlos Salvador Bilardo, nascido em Buenos Aires em 1938, ficou conhecido inicialmente como volante do Estudiantes de La Plata durante a era de Osvaldo Zubeldía. Formado em medicina, Bilardo levava para o campo uma postura fria, calculista e extremamente disciplinada.
Era o típico jogador que “fazia o trabalho sujo”: marcava duro, cortava jogadas com faltas estratégicas e não hesitava em recorrer à violência se fosse necessário. Sua função era clara: impedir que o adversário jogasse.
Símbolo do “antijogo”:
Bilardo virou uma das peças centrais do esquema que deu ao Estudiantes os títulos da Libertadores em 1968, 1969 e 1970. Mas junto com os troféus veio também a fama de “time mais sujo da América”.
Relatos da época descrevem Bilardo como um jogador obstinado, incansável e implacável. Ele não tinha o brilho técnico de outros meio-campistas, mas compensava com entrega e uma visão tática que o tornava indispensável.
Não à toa, seu nome ficou marcado em alguns dos episódios mais violentos da Libertadores — partidas recheadas de entradas duras, provocações e até agressões fora da bola.
Do campo ao banco de reservas:
Quando pendurou as chuteiras, Bilardo levou essa mesma mentalidade ao banco de reservas. Como treinador, criou uma filosofia conhecida “bilardismo”, baseada em pragmatismo, estudo minucioso do adversário e a ideia de que “vale tudo para ganhar”.
Essa visão contrastava com a chamada “escola menottista”, do técnico César Luis Menotti, que defendia o futebol bonito, ofensivo e técnico. A rivalidade entre as duas correntes dividiu a Argentina por décadas.
O auge com a Seleção Argentina
Bilardo assumiu a seleção argentina em 1982 e, com sua metodologia, levou o país ao título da Copa do Mundo de 1986, no México, com Diego Maradona como protagonista. Mesmo campeão do mundo, Bilardo nunca deixou de ser criticado por parte da imprensa e dos torcedores, que o viam como herdeiro direto do futebol “duro e feio” dos tempos de jogador do Estudiantes.
Um legado controverso:
Carlos Bilardo é lembrado de duas formas distintas:
Herói nacional, por ter sido o treinador do título mais marcante da história da Argentina, em 1986.
Símbolo do jogo sujo,pela postura como jogador e pela mentalidade pragmática que carregou ao longo da carreira.
No Estudiantes, seu nome permanece como parte da identidade do clube — um homem que ajudou a escrever a página mais gloriosa e, ao mesmo tempo, mais polêmica da história da Libertadores.




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