Blog do Josué Morais: Abdón Porte, o jogador de futebol que cometeu suicídio no estádio

 Abdón Porte foi um jogador uruguaio revelado pelo pequeno Colón, de Montevidéu, e que em 1911 chegou ao Nacional, o clube mais tradicional do país – ao lado do Peñarol.

Abdón era um clássico volante uruguaio. Raçudo, se doava em campo a cada partida e tinha um grande senso de liderança.



Essas características o fizeram rapidamente se firmar na equipe e receber, inclusive, a braçadeira de capitão.

O meia atuou no Nacional sendo titular absoluto por sete anos. Foram 207 partidas pelo “Bolso”, liderando a equipe na conquista de 4 Campeonatos Uruguaios e 9 Copas ao todo.

Abdón chegou à Seleção do Uruguai, se sagrando campeão da Copa América de 1917.




Em 1918, os dirigentes do Nacional resolvem fazer uma grande reformulação no elenco a fim de rejuvenescer a equipe.


Uma das novidades foi o investimento em Alfredo Zibechi, jovem e promissor jogador, que alguns anos depois seria campeão olímpico com o Uruguai.

Zibechi entraria exatamente no lugar de Abdón, que foi avisado que iria para o banco de reservas e seu contrato provavelmente não seria renovado.




Depois de sete anos, não passava mais pela cabeça de “El Índio”(como era conhecido) deixar de defender o Nacional.

No dia 4 de março de 1918, o Nacional venceu o Charley em casa, em um amistoso para dar início à temporada. Abdón jogou e foi bem. 


Na noite daquele dia, jogadores, comissão e dirigentes se reuniram para uma pequena comemoração, como era costume depois de cada vitória.

Por volta de uma da manhã do dia 5, Abdón deixou a festa e se dirigiu ao Estádio Gran Parque, casa do Nacional, que é também o estádio mais antigo das Américas (124 anos).

Abdón caminhou pelo gramado do estádio silencioso e encarou as arquibancadas vazias. Naquela noite, reviveu tudo que tinha passado naquele estádio. 


Caminhou, caminhou e parou exatamente no meio do campo.

Parado no meio de campo, Abdón sacou uma arma e deu um tiro contra o próprio peito.

Seu corpo foi encontrado apenas na manhã seguinte, pelo cão do zelador do estádio.

Junto ao corpo, estavam duas cartas.

Seu corpo foi encontrado apenas na manhã seguinte, pelo cão do zelador do estádio.

Junto ao corpo, estavam duas cartas.

A outra, um poema para o clube que amava: 




“Nacional, ainda que em pó convertido

e em pó sempre amante.

Não esquecerei um instante

o quanto te amei.

Adeus para sempre!”

Em 2018, no centenário da morte do ídolo, a Umbro lançou com o Nacional um uniforme com o slogan “Una camiseta con la sangre de Abdón”.

A camisa na cor vermelho sangue faz referência à trágica história.



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