O que é e como nasceu o "futebol reativo"?
Jogar de forma reativa não é algo novo. A novidade mora em perceber que o momento defensivo no futebol não é algo isolado do jogo, e pode ser usado também para facilitar o ataqu. Não se ataca apenas com a bola, afinal, é preciso ocupar espaços para que uma jogada seja iniciada, construída e finalizada. A forma que se ocupa esses espaços é o que conta. E o que compõe o futebol reativo é o controle de todas as variáveis, menos a bola: tempo, espaço e jogadores.
Por isso o termo "reação": é um jogo de resposta ao adversário, que tem o controle da bola, mas não do espaço. Por isso normalmente times reativos "entregam a bola ao adversário": é um ato consciente, treinado e lógico. Um time reativo entende que terá mais chances de sucesso dentro da partida, ou de momentos dela, quando controla o espaço e o tempo de jogo e prefere agir de acordo com as ações de seu oponente. E isso implica em, necessariamente, não ter a bola. Futebol reativo não é futebol defensivo, e o que difere os dois é o controle das variáveis que cada um tem no jogo.
Inglaterra de 1966 e Libertadores: o "nascimento" do futebol reativo
A confusão entre futebol reativo e defensivo é clássica e vem do pouco entendimento do jogo em si. Desde a década de 1960, quando o futebol começou a ser explorado por meio de crônicas e relatos, times que jogam assim são chamados de retranqueiros. O termo também se aplicou a técnicos e qualquer um que preferisse a marcação à posse. Soma-se a isso a ideia de que o futebol ofensivo é algo que só pode ser jogado com a bola nos pés, dogma estabelecido a partir da seleção de 1970 e que nunca deixou o imaginário popular. O sucesso recente do Barcelona e dos times de Pep Guardiola levou a ideia a um nível ainda maior. Mas o futebol não é feito só de passe, posse de bola e termos espanhóis. Jogar de forma reativa jamais esteve relacionado com a falta de qualidade com a bola nos pés. É apenas uma escolha de jogo com base nos jogadores e na ideia do treinador, algo feito o tempo todo. No fim, técnicos são grandes ventrílocos, que precisam decidir e ter mini-decisões o tempo todo. Jogar ou não com a bola é muito menos uma questão estética e muitas vezes uma questão de jogo.
A evolução do futebol mostra várias equipes que jogaram, tiveram sucesso e marcaram época priorizando o controle do espaço em detrimento da bola. Volta e meia, foram chamadas de defensivas. O primeiro time que apresentou a ideia de que o espaço podia ser controlado e que isso afetava a forma como adversários agiam foi a Inglaterra de 1966. Alf Ramsey, o técnico daquele time, "matou" os pontas ofensivos, aqueles que apenas driblavam e cruzavam a bola, e concentrou o jogo na marcação no meio-campo e nas bolas altas para os dois centroavantes. Alf Ramsey foi influenciado pelas derrotas do English Team para Uruguai e Argentina, onde se deparou com um futebol extremamente "pegado", quase violento.
Jogo reativo não é retranca. E mesmo que a diferença pareça pequena, ela faz muita diferença ao explicar o futebol.





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