Blog do Morais: Arquibancada elitizada: Nova realidade.

 Dentro das estratégias de marketing temos que analisar o produto “partida de futebol” como um produto intangível, heterogêneo, inseparável, perecível.





A partida de futebol, nessa visão, é consumido ao mesmo tempo que é produzida, remetendo a mais uma peculiaridade do mix de serviços: é prestado no mesmo local em que é produzido obrigando o torcedor a estar in loco para usufruir dele. No entanto, a partida apresenta outro diferencial, pois o torcedor, além de consumidor do serviço, em muitos momentos, torna-se parte do próprio produto. É ele que, uniformizado e caracterizado como fã, com suas bandeiras e buzinas, lota as arquibancadas do estádio, produzindo uma imagem capaz de valorizar ainda mais o produto final: a própria partida.


Essa partida, produto principal a ser vendido, é efêmera e está sujeita a uma série de percalço antes e durante a realização ou materialização do serviço prestado. A perecibilidade desse produto, que impossibilita a estocagem, devolução, ou revenda, caracteriza ainda mais o esporte como um serviço, pois, a partir do momento em que a partida está marcada, o torcedor não poderá escolher outro momento para ir. Ele poderá, sem dúvida, escolher outro jogo, mas aquele que passou não pode ser revivido. Na percepção de cada fã, cada segundo é único nesta prestação de serviço.



Porém, analisando o mercado e o comportamento do consumidor deve ser evidente para todos que um estádio de futebol, com uma capacidade média de 50 mil lugares, pode proporcionar lugares para atender a todos os gostos ou, em termos de mercado, a diversas bases de segmentação.


O preço do ingresso irá definir o perfil do público que queremos dentro dos estádios.


Ou seja, se por um lado os times de futebol querem consumidores que possam consumir o espetáculo, ao mesmo tempo necessitam de torcedores que possam empurrar seu time para frente e produzir um espetáculo cada vez mais empolgante.



Um erro constante que vejo por aí é avaliarem a elitização apenas através do preço do ingresso e na possível exclusão de uma parcela significativa da população. Porém, sob a ótica do marketing, devemos ter em mente que os clubes querem pessoas que possam consumir a partida. Isso significa que essas pessoas devem gastar não apenas na aquisição do ingresso, mas no consumo de diversos produtos dentro do estádio.


As novas arenas irão gerar custos muito maiores que as atuais ao mesmo tempo que os clubes precisam aumentar suas receitas e diminuir outras despesas.


A TV correspondem a 35% das receitas dos clubes. Patrocinio cerca de 20% e a venda de atletas 15%. A redução na dependência da venda de atletas é excelente, mas os clubes precisam aumentar a participação das receitas com match day em seus balanços. Esse passo é fundamental para que possamos pensar em manter os grandes talentos e, até mesmo, trazermos talentos internacionais para cá.


O perfil do consumidor/torcedor dentro do estádio vai mudar com a tal elitização?

Provavelmente sim. Deveremos ter mais famílias dentro dos estádios. Aumentando o número de mulheres e crianças presentes teremos, dentro do estádio, novos hábitos de consumo possibilitando aumento de receita.


A elitização é um processo sem volta, mas não é uma via de mão única. Tem espaço para todas as classes no estádio. E o estádio deve ser pensando para atrair todos os modelos de consumidores. Com isso os clubes também deverão pensar em produtos diferentes para públicos diferentes, que estarão em locais diferentes.

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