Blog do Morais: POR QUÊ O BRASIL IDOLATRA BANDIDOS?
Antes da contemporaneidade, a sociedade nunca foi tolerante com criminosos. As punições aplicadas nas antigas civilizações eram das mais brutais possíveis.
O que não falta são exemplos de tortura e execuções durante a Idade Antiga e a Idade Média. A visão que se tinha a respeito dos criminosos era semelhante à de vermes assolando famílias que já tinham uma péssima qualidade de vida.
Porém, filósofos contemporâneos, como Voltaire, ao perceberem as injustiças que vez ou outra ocorriam com inocentes condenados a torturas e execuções, se empenharam em combater as penas cruéis. A humanização do criminoso começa aí.
Começam a se desenvolver teorias que defendiam a remissão e a reintegração dos criminosos à sociedade. Essa teoria ganha força e substitui as punições brutais por prisões humanitárias, com o objetivo de reeducar o delinquente.
Resultado? Fracasso. As prisões ficaram superlotadas, e a violência, por meio de revoltas, tornou-se cada vez mais comum. Nos EUA, a maioria dos estados retornou a punições rígidas ao perceber o fracasso.
Acontece que a visão humanizada do criminoso permaneceu. As execuções e torturas caíram em total desuso, tornando-se algo ultrapassado.
Mas qual a origem do 'prazer' em ser criminoso? Qual a origem da ostentação criminosa? Por que ser bandido atrai mulheres e poder?
Basicamente, o fracasso social e a falta de perspectiva geram uma energia animalesca no homem, fazendo-o querer se provar diante da sociedade. Sendo ele mesmo a própria lei, acredita que pode alcançar o poder financeiro e sexual que tanto almejou.
Essa é a essência do marginal: querer, a todo custo, mulheres, respeito, poder e dinheiro. A cultura criminosa que conhecemos (exaltada por Oruam, por exemplo) não é gerada por necessidades básicas, como fome e segurança, mas sim pela falta de perspectiva de um futuro próspero.
Com as oportunidades de ascensão social cada vez mais escassas e exigindo requisitos cada vez maiores — muitos dos quais independem do indivíduo, como as oligarquias —, o famoso jovem periférico passa a desejar romper com um contrato social que, para ele, não o favorece em 'nada'.
Ao quebrar esse contrato com a sociedade, todas as leis e costumes são rejeitados pelo jovem que, em sua cabeça, passa a se ver como a própria lei. E isso atinge a parte mais vil do ser humano.
Assim, essa imagem disruptiva, essa adesão ao risco para ascender na vida, é vista pelos demais criminosos como um sinal de vitória e coragem, tornando os delinquentes mais cruéis os mais respeitados. Essa admiração se reflete nos funks, que reduzem o sucesso na vida a ter mulheres, armas e dinheiro.
Como disse no início, a tese humanizadora do criminoso tomou conta da classe intelectual, especialmente no Brasil. Muitos são lenientes com as práticas horrendas do crime para idealizar o marginal como alguém disruptivo. O criminoso, nesse pensamento, rompe com as regras do sistema injusto da burguesia.
Se as leis impostas pela burguesia são injustas, então o criminoso não é, de fato, um criminoso. Ele é justificado, e suas ações passam a ter uma lógica — a famosa 'lógica do assalto'
E assim se forma a visão de que o traficante, o dono da boca, o assassino de policiais é um guerreiro contra as injustiças do capitalismo. Do outro lado, o policial é visto como o vilão, a representação máxima da superestrutura que oprime esse jovem.
Como a classe intelectual ocupa boa parte dos veículos responsáveis pela formação do imaginário popular, os jornais desempenham o papel de supervalorizar a vida de um marginal e reduzir a nada a morte de mil policiais.
Essa teoria que humaniza o criminoso torna-se, mais tarde, base para teorias do Direito, como o garantismo. O objetivo passa a ser impor limites ao poder punitivo do Estado, já que agora sua função não é mais punir, mas sim reinserir o marginal na sociedade. Seu caráter torna-se educacional.
Alguns exemplos disso são: maioridade penal aos 18 anos, progressão de regime, saídas temporárias, visitas íntimas e todo o resto que vocês já conhecem. Tudo isso visa amenizar o sofrimento do 'pobre coitado' e educá-lo para que retorne à vida normal.
Porém, senhores, quando a sociedade começa a ser dominada pelos marginais, dominada de fato como em alguns lugares do Brasil, essas teorias começam a ruir diante da realidade.
E é isso que esperamos, que o Brasil acorde para o verme que te assola há décadas e não caia mais em discursos bonitos mas que não garantem o básico para uma vida honrosa, a segurança.
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